Precisamos falar sobre La Casa de Papel




Sabe aquela série que você meio que vai assistir só porque todo mundo tá comentando, e tipo, com um mês de atraso, só pra não ficar por fora? Sim, essa sou eu. Confesso que também torcia o nariz para séries em espanhol, nunca curti muito, mas resolvi dar uma chance já que estava (e estou ainda) apaixonada por El Ministerio del Tiempo, então resolvi dar uma chance para La Casa de Papel, que assisti pela Netflix, e em nenhum momento me arrependi.

CONTÉM SPOILERS!!!

Personagens
O primeiro personagem que me fisgou foi o Professor. Meu ponto fraco são os homens de óculos, junta uma barba, uma inteligência fora da curva e já estou planejando o casamento, mas voltando, a forma que ele recrutou os personagens conforme a necessidade de pessoal para poder colocar o seu plano em prática demonstrou que ele não estava de brincadeira, ele simplesmente planejou todo o assalto, gerenciava as crises , antecipou cada passo do assalto e sempre tinha um plano B.
Tóquio era a sangue nos olhos do grupo, se precisasse de alguém com coragem para puxar o gatilho, a Tóquio era essa pessoa. No começo aquele ar de rebeldia, sempre quebrando as regras e nunca seguindo à risca os planos do Professor quase colocaram tudo a perder em várias situações, mas com o passar dos episódios, aquele jeito louco dela mostrou a que veio em duas situações fodásticas ela foi a salvadora da pátria. Formando o casal bandido da série com Rio, um hacker responsável pela parte da programação do assalto, ele é doce e inocente para contrabalancear a relação com Tokio que é bem intensa.

Nairobi, sim, aquele corte de cabelo achei estranho, mas quando ela enfrentou o Berlim que tava pirando legal e tomou a frente de tudo começando o “matriarcado” (mesmo que por pouco tempo) mostrou a que veio. Ela era a responsável pela fabricação do dinheiro e o controle de qualidade. Ela era tão foda que conquistou a simpatia dos funcionários do banco que simplesmente trabalhavam por prazer pra ela. Sinceramente ela tem o perfil de líder que valoriza e incentiva os funcionários.
O Moscou era o especialista em cofres, pai do Denver. No começo parecia apenas mais um ladrão, que vivia de dar golpes. Tinha um relacionamento bem legal com o filho, mas com a revelação de como ele agiu com a mãe de Denver abalou profundamente o relacionamento dos dois dentro da Casa da Moeda, mas no final da série eles acabam se reconciliando.
Denver e Monica Gaztambide acabam se tornando um casal: ele entrou para o assalto por causa do pai. No começo personagem bem imaturo que acaba amadurecendo quando conhece Monica, uma das reféns, secretaria da Casa da Moeda que se descobre grávida de Arturo, diretor do banco, que renega a criança e acaba a jogando nos braços de Denver. Sindrome de Estocolmo? Com certeza, até essa conclusão é levantada durante o assalto por Berlim, mas Monica numa situação onde teve que escolher um lado, optou por Denver em vez do ex-amante, selando assim o seu destino, não teve outra escolha senão em fugir com Denver após o assalto.
Inspetora Raquel Murilo foi a chefe de operações responsável por negociar com os assaltantes. Uma personagem a meu ver pouco aproveitada, foi a que apresentou mais furos na narrativa. Onde uma policial experiente começa a confiar do nada em um estranho durante o maior assalto da Espanha e começa um romance tão rapidamente sem nem desconfiar do novo namorado que sempre estava por perto em situações tão complicadas? Tá certo que ela teve um relacionamento conturbado com o ex-marido que a agredia, mas isso só deveria deixar a personagem mais desconfiada ainda. Mas a situação mais forçada foi quando ela descobriu que o seu novo namorado era o Professor, sério, os roteiristas forçaram demais.
Arturo, gerente da Casa de Papel e amante de Monica. Quando recebe a notícia que ela está grávid, tenta fugir da responsabilidade ao falar que era estéril e teve que fazer tratamento poder ter filhos com a esposa, pedindo inclusive que a amante fizesse um aborto, deixando Monica desnorteada. Quando ele pegou Monica e Denver juntos, o choque de ter sido substituído foi o gatilho para que começasse a planejar  uma forma de fuga, onde alguns reféns conseguiram fugir, mas que infelizmente acabou matando Oslo, um dos assaltantes. Odiei ele, do início ao fim.
Helsinque era o soldado, a força bruta do grupo (junto com Oslo) apesar do tamanho, tinha um coração de ouro, tratava Arturo muito bem e o chamava de "Arthuzinho" e cuidava dele após o mesmo ter sido baleado. Após a morte de Oslo que foi causada pela fuga que Arturo arquitetou ele quase perdeu o controle.
Ah o Berlim, deixei o melhor para o final. Ele era o co-capitão do Professor, o líder do assalto no banco e nas muitas ausências do Professor foi o que manteve o sangue frio enquanto todo o resto do grupo estava pirando (exceto Oslo e Elsinque, seus soldados como ele os chamava). Anteriormente roubava joias para manter o seu estilo de vida caro. Olhava todos com desprezo e se sentia melhor do que os companheiros. O único que via de igual para igual era o Professor. Em situações limites com reféns e os companheiros usou de violência sem titubear, era um louco psicótico? Não sei, mas se não era disfarçava muito bem. Nos primeiros episódios (já quando estava apaixonada por ele) descobrimos que ele era um paciente terminal e que tinha pouco tempo de vida. Então meio que estava preparada para o final que o personagem teve. Claro, eu já sabia, mas sabe quando a gente não quer aceitar. Confesso que chorei largada quando ele morreu.

Conclusão

La Casa de Papel foi uma série que eu amei assistir. Nunca liguei muito para spoilers, mas nessa situação eu tomava todo o cuidado no serviço, no Facebook, em blogs que lia para não ler nenhum. Demorei para terminar a série? Sim, demorei demais, até porque como eu gostei tanto, enrolei para degustar o seriado, eu só terminei a 1ª temporada somente quando saiu a 2ª e os episódios eu só assistia quando estava no clima, tinha que ter todo um ritual. A série foi muito bem desenvolvida, apenas teve uns furos pontuais no roteiro, mas nada que quebrasse a narrativa e a motivação de cada personagem foi bem explicada. Só que fiquei com aquela sensação que fiquei torcendo pelos bandidos e me senti meio mal por isso, sempre temos aquela visão de sociedade que bandido é bandido e polícia é polícia. Isso só nos mostra que uma história muito bem construída pode te convencer a mudar de lado, como a Inspetora acabou mudando no final da série.

Bella ciao, bella ciao, bella ciao





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